Outubro de 1998


EM MAIO DE 1993, entrei para a Irmandade de Alcoólicos Anônimos, em meio a um divórcio doloroso, resultado de anos e anos de abuso em decorrência do meu alcoolismo. Minhas duas filhas, com dois e três anos à época, ficaram no meio dessa situação toda. Minha recuperação estava indo bem, e meu relacionamento com minhas filhas estava progredindo, mas, depois de sete meses em A.A., ainda não sentia paz. Embora estivesse me esforçando para espiritualizar minha vida, continuava achando difícil aceitar o fato de que minha família não voltaria a viver unida. Um pouco depois, comecei a questionar por que Deus tinha má vontade em responder a minhas orações.

Logo depois do meu divórcio, estava morando num pequeno trailer quebrado. Estava falido e ressentia-me pelo fato de não ter mais uma casa e todas as coisas materiais que indicam bem-estar. Mesmo quando estava na ruína emocional e espiritual, os meus bens materiais sempre me davam uma falsa sensação de estar bem. Naquele momento, eu não tinha mais nada, e minhas filhas estavam passando o primeiro fim de semana na minha nova casa.

Eu as coloquei na cama e voltei para a sala; sentei-me no escuro, só pensando e sentindo pena de mim. Tinha nevado o dia inteiro, e a lua cheia estava refletida na neve fresca, iluminando a sala com sua luz. Quando fui deitar, parei na porta do quarto onde as meninas dormiam e fiquei olhando-as dormir. Os raios de lua brilhavam pela janela sobre a cama em que dormiam.

O que mais me lembro daquela noite é o ritmo da respiração delas. Enquanto elas dormiam, lembrei-me do ritmo calmo, sereno e pacífico de quando eu as abracei pela primeira vez, completamente maravilhado.

Esse foi o ritmo constante do meu relacionamento com minhas filhas. Era esse ritmo que me dizia que elas estavam bem e que meu mundo estava bem. Era esse ritmo, num velho e mal conservado trailer, num precário terreno, que me mostrava que Deus estava me ouvindo e que meu mundo estava bem.

Não é interessante a forma como Deus sussurra? Mas nós nem sempre ouvimos Sua mensagem. Por isso, para mim, é tão importante melhorar minha relação com Deus. Acredito que o divino está encarnado em todas as coisas, mas acho devo honrá-Lo falando com Ele como se fosse uma pessoa. Não peço por coisas específicas. Não acho que Ele seja um gênio para realizar desejos, mas acho que me dá força, esperança e uma apreciação da vida e da bondade.

Esta concepção dá-me grande bem-estar, e acho que é isso que tentamos alcançar pelos Passos espirituais de Alcoólicos Anônimos.

Frank K.
Dearborn Heights, Michigan.

Fonte: Livro Sobriedade Emocional, a próxima fronteira, páginas 98 e 99.


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