Ansiedade coletiva é um termo utilizado para descrever o estado de medo e desespero vivenciado, de modo simultâneo, por um grupo de pessoas. O consumo excessivo, as competições cada vez mais acirradas, o abuso de tecnologias, o bombardeio de informações sobre as crises climáticas, pandemias, desastres ambientais, instabilidade econômica, guerras e conflitos políticos estão diretamente associados à questão.

A ansiedade é uma resposta natural do organismo para se defender de perigos. O fluxo ininterrupto de informações pode provocar a sensação de estado de alerta permanente, quadros de estresse crônico e outros impactos negativos na saúde mental. O conceito de “ansiedade coletiva” emerge desse cenário, no qual os problemas do mundo tornam-se pessoais e imediatos.

O consumo excessivo de notícias, especialmente relacionadas a catástrofes e eventos negativos, pode aumentar os níveis de ansiedade, estresse e depressão, incluindo a sensação de esgotamento físico, emocional e desamparo; amplificando o clima de pânico e desesperança.

Nas redes sociais, os algoritmos intensificam tais sensações. Notícias negativas são mais compartilhadas e corroboram a percepção de um mundo à beira da catástrofe.

Tal cenário expõe as pessoas a uma forma de “trauma secundário”, impactando-as, emocionalmente, por eventos não vivenciados de maneira direta, mas que se tornam parte de seu dia a dia por meio das mídias.

A exposição sistemática a notícias negativas afeta a percepção da realidade. A crença em perigos iminentes e inevitáveis pode levar a estados de paralisia e sensação de impotência e, ainda, resultar em busca compulsiva por mais informações, na tentativa de recuperar algum controle sobre a situação, ou à evitação de qualquer contato com notícias, como estratégia de proteção. O ciclo da ansiedade pode ser agravado pelo fenômeno conhecido como “rolagem da catástrofe”, isto é, navegação incessante por notícias trágicas. A expectativa é a de que, ao se manter informado, o sujeito seja capaz de lidar com as crises. No entanto, o efeito, muitas vezes, é o contrário: o excesso de informação provoca paralisia e aumenta a sensação de insegurança.

O consumo de informações de fontes conflitantes, com conteúdos sensacionalistas e exagerados, deve ser evitado. O ideal é escolher fontes confiáveis, formar uma visão equilibrada do mundo, mesclar informações trágicas com histórias de superação e inovações positivas. A mente necessita de descanso. Às vezes, é vital desconectar-se de notícias e redes sociais.

A era da informação proporciona incontáveis benefícios, no entanto, é crucial saber gerenciar a quantidade e a qualidade das informações consumidas. A preservação da saúde mental exige equilíbrio entre se manter consciente da realidade e o cuidado com as emoções. Informação é ferramenta de conscientização e ação, não uma fonte de constante ansiedade e medo.

Autora: Maria Lucia Madureira, Psicóloga e Voluntária do Amor-Exigente.

Fonte: Revista AE, edição 304, página 11